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Framboesa - Colheita Abril
Framboesa - Heritage
Framboesa - Colheita Abril
Framboesa - Colheita Abril

FRAMBOESA (Rubus Ideaus)
Eng. Agr. Eduardo Pagot

1. Caracterização da espécie:
1.1 Aspectos Botânicos:

Família: Rosáceas
Espécie: Rubus ideaeus

O gênero Rubus compreende cerca de 500 espécies que habitam principalmente o hemisfério norte. Muitas se cultivam simplesmente como plantas ornamentais. As cultivares de framboesa com objetivo de produção de frutas são lenhosas ou semilenhosas, predominando a chamada framboesa vermelha da espécie Rubus idaeus.

Morfologia: A framboesa é um arbusto estolonífero, o que significa que desenvolve talos subterrâneos dos quais emitem retornos ou hastes. As hastes ou retornos são bianuais, mas o sistema radicular é perene, cuja longevidade pode alcançar 20 anos, dos quais somente 8 a 12 anos são considerados comerciais para a produção de frutas. O sistema radicular caracteriza-se por desenvolver-se horizontalmente e ramificar-se abundantemente em forma superficial. Em torno de 90% das raízes se encontram entre 10 a 15cm de profundidade no solo, por isso a framboesa é muito sensível a falta de umidade e apresenta melhor desenvolvimento quando irrigada. As folhas são compostas, alternadas, formadas por 5 a 7 folíolos. A inflorescência é terminal e axilar. As flores possuem 5 pétalas brancas e são hermafroditas. Os frutos são oblongos ou cônicos, compostos por 75 a 85 drúpeolos. Apresentam-se presos sobre um receptáculo carnoso e convexo. As framboesas podem ser classificadas conforme seu comportamento na floração. As variedades não reflorescentes ou uníferas, durante o primeiro ano se desenvolvem vegetativamente e somente florescem no ramo de dois anos, na primavera, frutificando entre dezembro e janeiro, por isso também são chamadas de produtoras de verão. As variedades reflorescentes ou bíferas, apresentam um comportamento diferente, pois os brotos vegetativos no primeiro ano florescem na parte terminal da haste (gemas apicais) no verão, produzindo frutos no final do verão e inicio do outono (março a maio). As gemas subapicais produzem uma segunda floração no ano seguinte, na primavera seguinte, produzindo frutos no verão (dezembro a janeiro). Dependendo as condições climáticas e de manejo podem frutificar de dezembro a maio. As variedades reflorescentes são as mais cultivadas no Brasil, e que normalmente apresentam menor exigência em horas de frio.

2. Aspectos sobre produção:

A framboesa é cultivada na Europa desde a idade média, encontrando-se espécies silvestres em todos os países do centro e norte europeus e nas zonas montanhosas do Mediterrâneo e parte da Ásia. As plantas silvestres passaram por anos de melhoramento genético onde foram selecionados diversas cultivares, inclusive com menor exigência de frio. Atualmente seu cultivo se realiza em quase toda a Europa, principalmente na Escócia, Alemanha, Países Baixos, França, Inglaterra, antiga Yugoslávia, Hungria, Espanha, Bulgária, Polônia e Rússia. Normalmente, os europeus, pela sua característica fundiária e custo de mão-de-obra, cultivam framboesas em pequenas extensões. Também, seu cultivo tem se estendido pela Nova Zelândia e Austrália. Nos Estados Unidos em 1861 já existiam 41 variedades cultivadas. Atualmente são centenas de cultivares, cultivadas nas mais diversas regiões, algumas adaptadas a colheita mecanizada. Na América do Sul, o Chile, destaca-se como o maior produtor, com uma área aproximada de 5.000 ha, predominando o cultivo da cultivar heritage. A produção do Chile atinge cerca de 30.000 toneladas/ano. Desse volume, aproximadamente 12% é de frutas frescas (in natura), 66% congelada, 15% para sucos, visando o mercado de exportação, apenas 7% para consumo local. O principal destino da produção Chilena de fruta fresca são os Estados Unidos e o Canadá (85%), em segundo lugar está a Europa (24%). A framboesa congelada, na sua maioria se exporta para Europa (60%), em segundo lugar pra os Estados Unidos e Canadá (38%). A produção mundial de framboesa é de cerca de 320.000 toneladas.
No Brasil, a cultura da framboesa foi introduzida inicialmente na região Serra da Mantiqueira, mais especificamente em Campos do Jordão, não sendo precisa a data. Atualmente as principais regiões produtoras são o Rio Grande do Sul, São Paulo e Minas Gerais, nas regiões de altitude, sendo a área total estimada em 40ha. No Rio grande do Sul destaca-se o município de Vacaria, nos Campos de Cima da Serra, que possui uma área de 10 há e outros municípios da Serra Gaúcha com pequenos cultivos.

3. Requerimento do cultivo:

Clima: A framboesa pode ser cultivada em uma grande amplitude de climas, porém com comportamentos distintos. Devido a sua origem, a máxima produção é obtida em zonas temperadas, com verões não muito quentes e invernos frios extremos. Em geral a framboesa pode se desenvolver com 600 a 800 horas de frio abaixo de 7ºC, como também existem variedades cujos requerimentos podem ser maiores que 1000 horas de frio. No entanto, podem ser cultivadas em regiões com pelo menos 250 horas frio. A framboesa é bastante resistente as baixas temperaturas invernais, ocasionalmente as baixas temperaturas seguidas de períodos muito quentes, podem causar morte de gemas laterais e reduzir o vigor das plantas. As geadas precoces, de primavera, comum nas regiões frias de altitude do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, podem afetar a primeira floração, no entanto apresentam um processo compensatório, que consiste em permitir o desenvolvimento de gemas laterais basais das folhas, as quais não se desenvolvem em condições normais. Recomenda-se escolher cultivares com florações mais tardias, desde meados de outubro e início de novembro para plantio nessas regiões. Quanto a altas temperaturas, a framboesa suporta bem, desde que suprida adequadamente de água. A precipitação exigida pela framboesa fica na faixa de 700 e 900mm anuais bem distribuídos, especialmente durante o crescimento dos frutos, período que necessita no mínimo de 60mm por mês. Abaixo disso, a irrigação é indispensável. Em caso de seca prolongada por 12 a 15 dias, com temperaturas elevadas, pode reduzir a produção entre 60 a 75%. A umidade relativa do ar alta favorece seu desenvolvimento, no entanto a presença de serração ou neblinas matinais, especialmente associadas a períodos de calor, pode facilitar o desenvolvimento de doenças, principalmente de oidium e botrytis. A alta luminosidade, dias longos e ensolarados, beneficia a framboesa, permitindo uma qualidade máxima dos frutos, conseqüência de um melhor estado sanitário. A ação moderada dos ventos é benéfica e sua ausência favorece o desenvolvimento de moléstias fúngicas, por outro lado é necessário evitar as plantações muito adensadas e lugares baixos, onde não há circulação do ar. Locais muito ventosos também não são recomendados, pois podem provocar quebraduras e feridas nos ramos mais frágeis, não permitindo o adequado desenvolvimento dos ramos florais precoces.

Solo: A framboesa pode ser cultivada em quase todos os tipos de solo, com exceção dos solos pouco profundos, demasiadamente argilosos, fortemente calcários e excessivamente úmidos. O excesso de umidade no solo se manifesta pela morte das hastes frutíferas. Os solos mais apropriados são aqueles bem drenados, com boa capacidade de retenção de água e presença de matéria orgânica. Em geral os solos ligeiramente ácidos, com um pH em torno de 6, são os melhores para a framboesa.

4. Cultivares/variedades

A escolha da variedade a plantar é de fundamental importância, pois é o fator que mais influencia sobre a qualidade e rendimento do futuro pomar. Os principais fatores que devem ser considerados na escolha são:
O destino da produção: mercado fresco ou congelado; época de maturação; facilidade de colheita e resistência a enfermidades. No Brasil, não se tem muita opção de escolha, pois existem poucas variedades disponíveis e testadas nas nossas condições.
Dentre as variedades de framboesa atualmente cultivadas no Brasil destacam-se Heritage e Autumn Bliss, ambas originárias dos Estados Unidos e as mais cultivadas no Rio Grande do Sul, destacando-se a Heritage, com a maior área comercial. Também, registra-se o cultivo da variedade Batum, mais cultivada no sul de Minas Gerais.

Heritage: Cultivar de hábito reflorescente ou bífera, que produz após duas floradas distintas. Os frutos são de formato ligeiramente cônico, de tamanho médio a pequeno (2,5 a 3,2 g), vermelhos brilhantes, atrativos, com polpa muito firme, de excelente qualidade e com facilidade de separação do receptáculo. É uma cultivar que pode ser considerada de dupla aptidão, ou seja, para o mercado “in natura” (fresca) ou para processamento industrial (congelada). As plantas são consideradas altas, entre 1,50 e 2,10m, são muito vigorosas, eretas e perfilham com facilidade. Entre as cultivares plantadas no Brasil, mostra-se como a mais exigente em frio, não indicada para regiões com menos de 600 horas frio hibernal. O período de maturação dos frutos na haste primária é relativamente tardio.

Autumn Bliss: Cultivar de hábito reflorescente ou bífera. Produz duas vezes por ano no mesmo ciclo, semelhante a Heritage. Os frutos são considerados grandes, de formato oval-cônico, tendem a vermelho escuro, de sabor agradável e não acentuado. O período de maturação é um pouco mais precoce que a Heritage.

Batum: Cultivar de baixa exigência em frio que teve uma boa adaptação no sul de Minas gerais, mas da qual não se encontram maiores informações. A planta tem um hábito de crescimento similar a Autumn Bliss, é do tipo reflorescente, com frutos de formato oval.

5. Estabelecimento da plantação

Os sistemas de plantio da framboesa são muito variados e dependem das condições disponíveis para os tratos culturais e das cultivares utilizadas.

5.1 Espaçamento / densidade de plantio:

O espaçamento recomendado para a framboesa varia de 0,30m a 0,70m entre plantas e de 2,10 a 3,0m entre linhas de plantio. O espaçamento utilizado em cultivos comercias das cultivares Heritage e Autumn Blisss para as condições dos Campos de Cima da Serra são de 0.3 a 0,5m entre plantas e 2,5 a 3,0m entre linhas. Utilizando 0,5m entre mudas, conseguimos um desenvolvimento satisfatório do numero de hastes por metro já no primeiro ano, o que proporciona uma colheita significativa no primeiro outono. A distância entre linhas de 3,0m proporciona um espaço adequado para os tratos culturais mecanizados e ao mesmo tempo uma boa insolação e circulação de ar no cultivo. Cultivos mais adensados, com 0,3m entre plantas e 2,5m entre linhas proporcionam emissão de um número maior de hastes por metro no primeiro ano, resultando em uma produção maior na primeira safra. Portanto, o espaçamento adequado depende da disponibilidade de mudas e das condições de manejo que serão planejadas.

5.2 Preparo do solo:

O solo ideal para o cultivo da framboesa deve ser bem drenado, livre de plantas indesejadas (invasoras), abundante em matéria orgânica, relativamente nivelado e bem preparado, para facilitar o desenvolvimento inicial das raízes.
Recomendamos uma subsolagem da área, com gradeação e incorporação de calcário e fertilizantes a 30cm de profundidade, com o objetivo de correção da acidez e fertilidade do solo (adubação pré-plantio). As quantidades desses insumos deve ser quantificada de acordo com análise de solo. A acidez deve ser corrigida para atingir um pH 6,0. A fertilidade deve ser corrigida com o uso de fertilizantes minerais e orgânicos de acordo com a interpretação da análise do solo. Como adubação orgânica, a recomendação usual para os solos da região de Vacaria, é de 10 toneladas por ha de esterco de aves ou 20 toneladas de esterco de bovinos, incorporadas na linha três meses antes do plantio, no outono. O plantio de aveia preta no ano anterior, com o objetivo de incorporar no preparo do solo, também é recomendado.
Recomenda-se o encanteiramento da linha de plantio com o uso de enxada rotativa (encanteiradeira) para proporcionar o destorroamento do solo, incorporação dos fertilizantes e propiciar um maior desenvolvimento radicular no estabelecimento das mudas.

5.3 Mudas

A framboesa pode ser multiplicada por pedaços de raízes, por hastes retiradas das plantações e propagação de meristema (“in vitro”), transplantadas em tubetes ou sacos plásticos.
No caso da utilização de raízes, corta-se pedaços de 8 a 10cm de comprimento, que podem ser plantadas diretamente nas covas de plantio em numero de três em cada ponto. Esse tipo de material é preferentemente utilizado na formação de viveiros.
As hastes enraizadas, retiradas da plantação devem conter 6 a 9mm de diâmetro, com abundantes raízes fibrosas, com 2 ou mais gemas basais, que originarão os novos brotos.

5.4 Plantio das mudas:

As mudas de torrão (em tubetes ou sacos plásticos) apresentam melhor índice de pagamento em condições adversas. O plantio deve ser executado de preferência após precipitações pluviométricas, em condições de solo com boa umidade. As mudas devem permanecer à sombra com irrigação freqüente até serem transplantadas. A época de plantio ideal é no final do inverno e início da primavera, podendo se estender até o início do verão, desde que irrigadas com freqüência. As mudas de estacas enraizadas ou de brotações de raiz nua devem preferencialmente ser plantadas do outono até o mês de setembro. É fundamental a irrigação das mudas logo após o transplante no solo, pois elimina bolsas de ar que ficam ao redor das plantas e aumenta o contato das raízes com solo, reduzindo os riscos de desidratação das mesmas.

5.5 Sistema de irrigação:

O sistema de irrigação recomendado é por gotejamento, com distância de 33 a 50cm entre os gotejadores. A freqüência da irrigação vai depender da precipitação pluviométrica. O manejo da irrigação pode ser monitorado através da observação visual ou com o uso de equipamentos específicos. O dimensionamento do sistema de irrigação deverá ser efetuado de acordo com as características da área a ser implantado o pomar.

5.6 Controle de ervas indesejadas:

O controle de ervas indesejadas deverá ser efetuado com capina manual e arranquio (próximo as mudas). A capina deverá ser superficial para não danificar as raízes. O uso de herbicidas deverá ser evitado, pelo menos no primeiro ano de desenvolvimento das plantas. A freqüência da limpeza no primeiro ano deverá evitar qualquer competição, principalmente de gramíneas. Recomenda-se também o uso de “mulch”, cobertura com palha sobre a linha, pois reduz a germinação das ervas e mantém mais a umidade superficial no solo.

5.7 Controle de pragas e doenças:

No início é fundamental o controle de formigas cortadeiras, que podem em poucas horas danificar as mudas que possuem pouca área foliar. Recomenda-se um controle prévio na área, utilizando-se iscas e produtos em pó diretamente nos ninhos encontrados. São necessárias inspeções periódicas no pomar á fim de evitar esse dano. Demais pragas e doenças serão combatidas através de um planejamento ações preventivas e curativas (programa de manejo fitossanitário). As curativas, mediante o aparecimento de sintomas, por isso é importante a inspeção periódica da área. As pulverizações com agrotóxicos devem ser evitadas ao máximo, só devem ocorrer quando a população das pragas e os sintomas das doenças indicarem a necessidade do controle. Durante a fase vegetativa recomenda-se utilizar pulverizações de fosfito de potássio, fertilizante foliar que atua na formação das fitoalexinas, enzimas responsáveis pela ativação do sistema de resistência das plantas. No Brasil, não existem agroquímicos registrados para a cultura da framboesa. Quando necessário, alguns produtores utilizam produtos registrados em países europeus (existentes no Brasil) ou produtos registrados para a cultura do morango, que tem o hábito de frutificação semelhante à framboesa.

5.8 Fertilização:

Adubação de pré-plantio: É efetuada de acordo com a interpretação da análise do solo, normalmente utilizando-se uma fonte mineral de fósforo e potássio com o objetivo de correção, bem como a utilização de esterco de aves ou bovinos, que além dos elementos anteriores, fornece outros macro e micronutrientes e ainda todos os benefícios físicos e biológicos que a matéria orgânica agrega ao solo.
Adubação de manutenção: Deve ser efetuada de acordo com a observação do desenvolvimento das plantas, de acordo com as recomendações para a cultura, seguindo as exigências de cada período fisiológico da planta.
Adubação de reposição: Deve ser quantificada de acordo com a exportação de nutrientes, ou seja, de acordo com a produtividade obtida no pomar.
Basicamente essas adubações pós-plantio são executadas no final do inverno/antes da brotação e no pós-colheita.
Também são utilizada adubações foliares, principalmente com o uso do fosfito de potássio (que aumenta a resistência das plantas à doenças) e cálcio e boro que melhoram a qualidade e aumentam a consistência dos frutos.

6. Condução das plantas/tutoramento:

São implantados palanques (eucalipto tratado) na linha de plantio a cada 8 metros de distância, com dimensões de 0,15m(diâmetro) x 2,70m (altura), que deverão ser enterrados em torno de 1,0m. Para a cultivar Heritage, que pode atingir até 2,00m de altura, as travessas para suportar os arames serão fixadas em três alturas, a primeira á 40cm do solo (2 arames paralelos á 40cm distantes um do outro), a segunda travessa à 1m do solo (2 arames paralelos à 50cm) e a terceira travessa à 1,60m do solo (com arames paralelos à 60cm). Esse sistema poderá ser adequado ao desenvolvimento/vigor das plantas e também de acordo com a cultivar.

7. Podas:

No primeiro ano, as hastes que brotam desde o plantio das mudas, devem ser raleadas, eliminando-se os excessos, deixando em torno de 12 a 15 hastes por metro linear, considerada uma boa densidade para produção de outono. No inverno se despontam as plantas que frutificaram durante o outono anterior (a uma altura de 1,20 a 1,50m) e se selecionam as mais vigorosas para produção de primavera, deixando em torno de 6 a 7 hastes por metro linear, com a finalidade de obter tanto colheita de outono como a de primavera/verão, aproveitando as potencialidades das variedades reflorescentes. Existe a possibilidade de se obter dessas variedades, somente produção de outono, para tanto na poda de inverno ao invés de despontar os ramos que produziram no outono, faz-se à poda total das plantas ao nível do solo, o que vai determinar que toda produção do ano seguinte será nas hastes novas que brotarão à partir da primavera e produzirão no outono. Outro manejo importante, quando se opta pela colheita nas duas estações é a poda de hastes precoces de primavera, que deve ser feita quando os brotos atingem 10 a 20cm de altura, pois elas competem muito com a frutificação das hastes despontadas, portanto a primeira brotação pode ser eliminada/podada, pois as plantas emitem uma nova brotação duas ou três semanas seguintes, que daí poderão ser aproveitadas como produtoras de outono. Existe ainda, a poda de verão, que consiste na eliminação de todas as hastes de dois anos que produziram na primavera/verão, logo após a colheita, cortando-se ao nível do solo. Todas essas práticas de seleção e poda de hastes exigem a utilização de muita mão-de-obra, que sem dúvida constituí o principal gasto no manejo do pomar de framboesa, juntamente com a colheita. Portanto, a opção do produtor por um ou outro manejo poderá ser determinada por condições de mercado e disponibilidade de mão-de-obra para o manejo da plantação.

8. Colheita

A colheita da fruta representa boa parte dos custos com mão-de-obra e deve ser muito bem planejada. O número de colhedores que se requer por hectare depende do vigor da planta e época de colheita. Em geral no início e no fim da colheita se utiliza em torno de 8 a 10 pessoas por hectare, chegando dobrar essa necessidade em plena produção. Calcula-se que uma pessoa pode colher de 25 a 30 kg de framboesa em 8 horas de trabalho por dia, dependendo da prática adquirida e da disponibilidade de fruta a ser colhida. A mão-de-obra para colheita manual é o principal fator limitante desse cultivo no mundo. Os frutos de consistência firme, maduros e sadios, são os que tem melhores preços no mercado. A característica de firmeza é varietal, mas a metodologia usada na colheita pode influir notavelmente na qualidade da fruta. A colheita da fruta se efetua desprendendo-a de seu receptáculo carnoso, para o qual se toma com os dedos polegar, indicador e médio, para tracionar suavemente o fruto, rodando-o ligeiramente ao mesmo tempo. A maturação da fruta é determinada pela coloração e acidez da mesma. De forma prática, que pode ser observada a campo, a coloração é que determina o ponto de colheita. Deve-se evitar a colheita de frutas muito maduras, com vermelho muito intenso, pois já perderam a firmeza e podem estar deterioradas. Isto significa que se deve colher com freqüência, pois isso determina a qualidade e uniformidade dos frutos colhidos. A freqüência da colheita reduz as perdas por frutos muito maduros que rapidamente apodrecem e facilmente contaminam os adjacentes. Portanto, deve-se colher tantas vezes quanto necessária e de preferência somente nas horas mais frescas do dia e com tempo seco. A fruta selecionada para o mercado “in natura” deve ser colhida diretamente na embalagem definitiva e a fruta para indústria a granel para a embalagem posterior na forma que vai ser vendida.

9. Pós-colheita:

A framboesa tem uma vida muito curta de armazenagem, devido a sua rápida deterioração, que se produz por desidratação, trocas de calor, excesso de maturação, amolecimento, manipulação e podridões. Justamente por isso o mercado de frutas frescas não é mais explorado. A redução da temperatura o mais breve após a colheita é o fator mais importante na armazenagem, a fim de evitar trocas metabólicas (amolecimento e excesso de maturação) e desenvolvimento de microorganismos causadores de podridões. Para evitar desidratação excessiva, se recomenda usar juntamente com as baixas temperaturas, umidades relativas altas. Segundo alguns autores, as condições ótimas de armazenagem refrigerada são: temperatura de 0ºC a 5ºC e umidade relativa de 90 a 95% durante uma semana, logo após a uma temperatura de 20ºC, ainda pode manter-se sem deterioração entre 1 a 4 dias. O ideal é usar a cadeia de frio desde o campo até o mercado, sem interrupção.

10. Comercialização

A framboesa é uma fruta muito apreciada pela sua delicadeza, aroma, cor e sabor inigualável. Muito utilizada na culinária e no processamento de diversos doces, geléias, caldas, sobremesas, sorvetes, iogurtes, polpas, preparados de frutas e outros. Nos últimos anos, o sabor denominado “frutas vermelhas” tem ganhado as prateleiras dos supermercados nos mais diversos produtos industrializados, o que tem aumentado a demanda pela fruta congelada, que juntamente com amora e o morango, fazem parte da composição desse sabor. O apelo nutricional e terapêutico (nutraceutico), destacando as frutas vermelhas como alimentos funcionais, capaz de prevenir e controlar determinadas doenças, tem atraído as pessoas para o consumo dessas frutinhas. Esse destaque dado às frutas vermelho-escuras e roxas, tais como a amora, framboesa, mirtilo e morango, se justifica porque além de apresentarem um alto conteúdo de vitamina C e betacaroteno, são ricas em compostos fenólicos, com potencial antioxidante muito maior que essas vitaminas. Dentre esses compostos fenólicos encontrados nessas frutas, os flovonóides são os que apresentam maior ação terapêutica. Estudos indicam que essas substâncias são capazes de exercer efeitos protetores para o cérebro, retardando o envelhecimento e doenças relacionadas, além de possuírem atividade antioxidante, anticancerígena e antiinflamatória.
O consumo “in natura” de framboesa tem pouca expressão no Brasil, até pela pouquíssima produção disponível e pelo alto valor final pago pelo consumidor pelo quilo da fruta (R$30,00 a R$40,00 pelo quilo de fruta fresca), o que determina seu consumo as classes economicamente privilegiadas. Não se têm dados sobre esse volume produzido e consumido, sabe-se que existe uma boa demanda nos estados do sudeste do Brasil, destacando-se São Paulo e Rio de Janeiro como principais consumidores e também algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Belo horizonte. A fruta produzida para o mercado “in natura” e congelada no Brasil, tem como principal produtor o município de Vacaria. Sabe-se também, que existe a importação de determinados volumes provenientes do Chile, principalmente de fruta congelada para processamento industrial. Na região da Serra Gaúcha e Serra da Mantiqueira, nos estados de São Paulo e Minas Gerais existem pequenos cultivos para atender a demanda de agroindústrias da região e um pequeno volume comercializado como fruta fresca nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
A oferta no Brasil parece ser menor que a demanda, e os preços são muito compensadores aos produtores. Na região de Vacaria e na Serra Gaúcha, pequenos produtores, recebem em torno de R$ 5,00 a R$6,00 pelo quilo da fruta para indústria. O preço da fruta fresca pode passar de R$10,00 por quilo para o produtor.

2009 Appefrutas