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Pomar de amoras
Amora - Floração
Amora Preta - Variedade Tupy

AMORA-PRETA (Rubus sp.)
Eng. Agr. Eduardo Pagot

1. Caracterização da espécie:
1.1 Aspectos Botânicos:

Família: Rosáceas
Espécie: Rubus sp.

A amora-preta é uma planta difundida em muitas regiões do mundo, apresentando uma grande variabilidade genética, devido à facilidade de hibridação entre as espécies. No Brasil, principalmente nas regiões mais frias, ocorrem espécies silvestres, com características muito diversas entre si, desde a coloração (branca a preta) até o seu tamanho e sabor.

Morfologia: O sistema radicular da amora-preta é composto por uma rede fibrosa superficial e perene. Aproximadamente 70% da massa radicular apresenta-se na profundidade de 0 a 25 cm. Em qualquer parte das raízes pode se formar brotos, principalmente durante a primavera e o outono. Esses brotos, emergindo do solo, formam os novos ramos vegetativos. Os ramos vegetativos novos originam-se de gemas localizadas na base dos ramos velhos, também das gemas radiculares. O desenvolvimento vegetativo é intenso desde a primavera até o início do inverno. O frio do inverno provoca a queda das folhas e a dormência dos ramos vegetativos. Nesse período ocorre a diferenciação dos botões axilares em botões florais para a produção de flores e frutas na próxima estação. As temperaturas baixas, juntamente com o fotoperíodo, são determinantes no inicio dessa diferenciação floral. Portanto, o ramo vegetativo de um ano torna-se durante o inverno um ramo reprodutivo. No início da primavera os brotos axilares se alongam formando os brotos frutíferos, que formam vário nós e um ramalhete de flores na ponta do ramo. Esse ramalhete, tem normalmente, entre 7 e 8 flores, sendo que a flor da ponta abre primeiro. Normalmente, os primeiros cinco nós não se desenvolvem, mas os demais terão de uma a três flores cada. Um broto pode produzir até 30 flores. As flores são brancas, possuem de 50 a 100 estames (masculino) ao redor de um pistilo (feminino). As variedades comerciais, são em geral, autopolinizáveis, ou seja, não necessitam de agentes polinizadores. No entanto, há um percentual de flores com fecundação cruzada, que necessita de insetos polinizadores (abelhas). O néctar e o pólen são bem apreciados pelas abelhas, resultando num mel gostoso de cor âmbar. As frutas são compostas, normalmente formadas por 75 a 85 drupetes. Cada drupete tem a mesma estrutura de um pêssego ou ameixa, possui um caroço(semente), polpa e casca.

2. Aspectos sobre produção:

Apesar de existirem diversas espécies silvestres, o cultivo comercial de amora-preta no Brasil, tomou impulso à partir da introdução de cultivares provenientes dos Estados Unidos pela Embrapa de Pelotas-RS, em 1974. A partir desse material genético importado surgiram algumas cultivares brasileiras, que hoje são cultivadas aqui e em outros países. O Estado do Rio grande do Sul é o maior produtor brasileiro da fruta, com uma área estimada em 200 ha. Destaca-se o município de Vacaria-RS com cerca de 100 ha de cultivo, 50% da área do Estado. No Rio Grande do Sul, nos últimos quatro anos aconteceu uma grande expansão, principalmente na região dos Campos de Cima da Serra. A amora-preta também é cultivada em menor escala em Santa Catarina, Paraná e na região serrana de Minas Gerais e São Paulo. Na América do Sul, o Chile tem uma área de cultivo em torno de 150 ha, mantendo-se relativamente estável nos últimos anos. Os Estados Unidos são grandes produtores e consumidores, sendo a amora muito apreciada na culinária daquele país. O Estado do Arkansas se destaca como pólo tecnológico, onde se originaram muitas das variedades cultivadas no mundo. Atualmente, nos Estados Unidos, predominam os cultivos com cultivares de amoras sem espinhos, protegidas (patenteadas) e não disponíveis no Brasil. No México nos últimos anos aconteceu uma grande expansão do cultivo, com uma área aproximada de 3000 há de cultivo, predominando a cultivar brasileira Tupi. A produção mexicana tem como principal mercado os Estados Unidos, mas tem aumentado suas exportações para a União Européia.

3. Requerimento do cultivo:

Clima: Mundialmente, existem dezenas de variedades de amoras-pretas. Cada uma com diferentes características e necessidades de clima e tratamentos culturais. São menos exigentes que as framboesas em temperaturas abaixo de 7ºC. São cultivadas em regiões á partir 200 horas frio até frios extremos de mais de 1000 horas frio. A altitude e, conseqüentemente, as modificações na temperatura média do ar que esta provoca, alteram o desenvolvimento do ciclo da amora-preta e, principalmente, a época da floração. Alguns experimentos mostram que o início da floração retarda de oito a dez dias por cada 300 metros de diferença em relação a altitude. A exposição das plantas a ventos fortes pode causar desidratação das frutas e folhas em períodos de estiagem e danos físicos aos ramos e frutas, que ficam susceptíveis ao ataque de pragas e doenças. Um das formas de controle é instalação de quebra ventos. Quanto a exposição solar, preferentemente a orientação norte-sul, que proporciona maior quantidade de radiação solar, que é importante no desenvolvimento e na sanidade do pomar.

Solo: A amora-preta pode ser cultivada em quase todos os tipos de solo, com exceção dos solos pouco profundos, demasiadamente argilosos, fortemente calcários e excessivamente úmidos. Os solos mais apropriados são aqueles bem drenados, com boa capacidade de retenção de água e presença de matéria orgânica. Em geral os solos ligeiramente ácidos, com um pH em torno de 5,5 a 6,0 são os melhores para a amora-preta.

4. Cultivares/variedades

Atualmente são cultivadas no Brasil as variedades introduzidas e melhoradas pela Embrapa CNPT de Pelotas-RS e algumas espécies sem espinhos importadas.

Brazos: Cultivar precoce, de frutos considerados grandes (6 a 7 gramas), de sabor ácido adstringente e consistência firme. Planta de porte semi-ereto, com espinhos.

Comanche: Cultivar precocidade média, em torno de 10 dias a mais que a Brazos. Frutos de médios a grandes (5 a 7 gramas), de sabor ácido e adstringente e de consistência firme. Porte da planta é ereto, moderadamente coberta com espinhos.

Cherokee: Mais exigente em frio (abaixo de 7ºC) que a Brazos e a Comanche e cerca de 10 dias mais tardia que a última. Frutos médios (4 a 5gramas), de sabor levemente ácido e consistência firme, que se desprendem facilmente. A planta tem o porte ereto, com espinhos.

Tupi: Resultado do cruzamento (Uruguai x Comanche) realizado na Embrapa de Pelotas. Frutos grandes (7 a 9gramas), coloração preta uniforme, sabor equilibrado entre acidez e açúcar, consistência firme, sementes pequenas, película resistente e aroma atrativo. É recomendada para o consumo “in natura”, por sua baixa acidez e tamanho. A planta é muito produtiva, chegando a produzir em condições ótimas 3,8 kg por planta/ano. O porte é ereto, com muitos espinhos. È a cultivar mais plantada em Vacaria e no Rio Grande do Sul. A colheita, nas condições de Vacaria, inicia pela metade do mês de Novembro, encerrando no início de janeiro.

Guarani: Planta com porte ereto. Vigorosa e com espinho. Frutos de tamanho médio (5 a 6 gramas), coloração preta uniforme, sabor sub-ácido, consistência firme, sementes pequenas, película resistente e aroma atrativo. Recomendada para consumo “in natura” e indústria.

Caigangue: Cultivar com pouca exigência de frio, pode ser cultivada em regiões com horas frio (abaixo de 7ºC) inferior a 200 horas. Frutas de tamanho médio ( 5 a 6 gramas), firme, sementes de tamanho médio, aroma atrativo.Plantas vigorosas, eretas, com espinhos e produtivas (3,45 kg/planta/ano).

Loch Ness e Chester: Cultivares sem espinho, protegidas (patenteadas). Cultivadas em Vacaria por uma empresa ítalo-brasileira, com objetivo do mercado “in natura”, principalmente para exportação para Europa. Produção mais tardia que Tupi. Frutos alongados, considerados de ótima qualidade para exportação. Em 2006, a Emater de Vacaria instalou Unidades de Observação da cultivar Loch Ness com o objetivo de analisar sua adaptação em propriedades familiares assitidas.

5. Estabelecimento da plantação

Os sistemas de plantio da amora-preta são muito variados e dependem das condições de tratos culturais e das cultivares utilizadas.

5.1 Espaçamento / densidade de plantio:

O espaçamento recomendado para a amora-preta varia de 0,30m a 0,70m entre plantas e de 2,5 a 3,0m entre linhas de plantio. Nossa recomendação para o plantio da cultivar Tupi para as condições dos Campos de Cima da Serra são de 0.5m entre plantas e 3,0m entre linhas, totalizando uma densidade de 6.666 plantas/ha. A utilização do espaçamento de 0,5m entre mudas, proporciona uma colheita maior já na primeira safra. A distância entre linhas de 3,0m proporciona um espaço adequado para os tratos culturais mecanizados e ao mesmo tempo uma boa insolação e circulação de ar no cultivo.

5.2 Preparo do solo:

O solo ideal para o cultivo da amora-preta deve ser bem drenado, livre de plantas indesejadas (invasoras), abundante em matéria orgânica, relativamente nivelado e bem preparado, para facilitar o desenvolvimento inicial das raízes.
Recomendamos uma subsolagem da área, com gradeação e incorporação de calcário e fertilizantes a 30cm de profundidade, com o objetivo de correção da acidez e fertilidade do solo (adubação pré-plantio). As quantidades desses insumos são quantificadas de acordo com análise de solo. A acidez deverá ser corrigida para atingir um pH 5,5 a 6,0. A fertilidade será corrigida com o uso de fertilizantes minerais e orgânicos de acordo com a interpretação da análise do solo. A adubação orgânica, recomendada para os solos da região de Vacaria tem variado entre 8 e 10 toneladas por ha de esterco de aves ou 20 toneladas por hectare de esterco de bovinos, incorporados na linha três meses antes do plantio. O plantio de aveia preta no ano anterior, com o objetivo de proteção e incorporação no preparo do solo, também é recomendado.

Alguns produtores tem utilizado o encanteiramento da linha de plantio com o uso de enxada rotativa (encanteiradeira), o que proporciona um bom preparo do solo e a incorporação adequada dos fertilizantes e corretivo de acidez, essa prática pode propiciar um maior desenvolvimento radicular no estabelecimento das mudas. Em áreas já corrigidas em fertilidade e acidez, pode-se efetuar o preparo do solo somente na linha de plantio, numa largura de 1m a 1,5m, com subsolagem e gradeação. Em áreas não mecanizadas e pedregosas pode-se fazer o preparo somente das covas, desde que as essas sejam bem preparadas e adubadas. Recomenda-se fazer covas nas dimensões de 30cmx30cmx30cm, para proporcionar um bom desenvolvimento inicial das raízes. Na cova deve-se colocar em torno de 1 kg esterco de galinha bem curtido ou 2kg de esterco de gado também bem curtido (fermentado/estabilizado). O calcário pode ser misturado na terra retirada da cova, na quantia de 0,3 a 0,5 kg/cova, o restante recomendado na interpretação da análise do solo deve ser espalhado na superfície, concentrando sobre as linhas de plantio.

5.3 Plantio das mudas:

O plantio deverá seguir um alinhamento e marcação de acordo com o espaçamento planejado com a assistência técnica. As mudas de torrão (em tubetes ou sacos plásticos) apresentam melhor índice de pagamento em condições adversas. O plantio deve ser executado de preferência após precipitações pluviométricas, em condições de solo com boa umidade. As mudas devem permanecer à sombra com irrigação freqüente até serem transplantadas. A época de plantio ideal é no final do inverno e início da primavera, podendo se estender até o início do verão, desde que irrigadas com freqüência. As mudas de estacas enraizadas ou de brotações de raiz nua devem preferencialmente ser plantadas no outono até o mês de setembro. É fundamental a irrigação das mudas logo após o transplante no solo, pois elimina bolsas de ar que ficam ao redor das plantas e aumenta o contato das raízes com solo, reduzindo os riscos de desidratação das mesmas.

5.4 Sistema de irrigação:

O irrigação da amora-preta não é imprescindível como na framboesa e no mirtilo, apesar de que quando irrigada proporciona melhor tamanho de frutas e ganhos na produção. Quando se tem um mercado de exportação que remunera adequadamente, a irrigação e a proteção (cobertura com filme polietileno) da plantação são itens determinantes de qualidade. O sistema de irrigação recomendado é o de gotejamento, com distância de 33 a 50cm entre os gotejadores. A freqüência da irrigação vai depender da precipitação pluviométrica. O manejo da irrigação pode ser monitorado através da observação visual ou com o uso de equipamentos específicos. O dimensionamento do sistema de irrigação deve ser efetuado de acordo com as características da área a ser implantado o pomar.

5.5 Controle de ervas indesejadas:

O controle de ervas indesejadas no primeiro ano de implantação deverá ser efetuado com capina manual e arranquio (próximo as mudas). A capina deverá ser superficial para não danificar as raízes. O uso de herbicidas deverá ser evitado, pelo menos no primeiro ano de desenvolvimento das plantas. A freqüência da limpeza no primeiro ano deverá evitar qualquer competição, principalmente de gramíneas. Recomenda-se também o uso de “mulch”, cobertura com palha sobre a linha, pois reduz a germinação das ervas, mantém a umidade superficial e agrega matéria orgânica ao solo.

5.6 Controle de pragas e doenças:

No início é fundamental o controle de formigas cortadeiras, que podem em poucas horas danificar as mudas que possuem pouca área foliar. Recomenda-se um controle prévio na área, utilizando-se iscas e produtos em pó diretamente nos ninhos encontrados. São necessárias inspeções periódicas no pomar á fim de evitar esse dano. Demais pragas e doenças devem combatidas através de um planejamento de ações preventivas e curativas. O controle de pragas e doenças só deve ocorrer quando a população das pragas atingir níveis de danos e os sintomas das doenças indicarem a necessidade do controle, isso deve ser monitorado pelo produtor e avaliado com a assistência técnica. Durante a fase vegetativa tem se utilizado pulverizações de fosfito de potássio, fertilizante foliar que atua na formação das fitoalexinas, enzimas responsáveis pela ativação do sistema de resistência das plantas, buscando evitar as aplicações curativas. São utilizados também, produtos inorgânicos alternativos, como calda bordaleza e calda sulfocálcica, na fase de queda das folhas (outono) e na fase de dormência, antes a poda de inverno. Não existem agrotóxicos registrados para amora-preta no Brasil. Quando necessária uma intervenção com agroquímicos convencionais, alguns produtores tem utilizado produtos registrados em países europeus (existentes no Brasil) ou produtos registrados para a cultura do morango, que tem o hábito de frutificação e colheita semelhante à amora-preta.

5.7 Fertilização:

Adubação de pré-plantio: É determinada pela interpretação da análise do solo, e pode ser utilizada uma fonte mineral de fósforo e potássio com o objetivo de correção, associada a utilização de esterco de aves ou bovinos, que além dos elementos anteriores, fornece outros macro e micronutrientes e ainda todos os benefícios físicos e biológicos que a matéria orgânica agrega ao solo.
Adubação de manutenção: Deve ser efetuada de acordo com a observação do desenvolvimento das plantas, de acordo com as recomendações para a cultura contidas no manual de adubação e calagem da Rede Oficial de Laboratórios de Solos (ROLAS), seguindo as exigências de cada período fisiológico da planta.
Adubação de reposição: Deve ser quantificada de acordo com a exportação de nutrientes, ou seja, de acordo com a produtividade obtida no pomar.
Basicamente essas adubações pós-plantio são executadas no final do inverno/antes da brotação e no pós-colheita.
Podem ser utilizadas adubações foliares, principalmente com o uso do fosfito de potássio (que aumenta a resistência das plantas à doenças) e cálcio e boro, com o objetivo de melhorar a qualidade e consistência dos frutos.

6. Condução das plantas/tutoramento:

O sistema de condução das plantas mais utilizado é em forma de T, onde são implantados palanques (eucalipto tratado) na linha de plantio a cada 8 metros de distância, com dimensões de 0,15m(diâmetro) x 1,80m (altura), que deverão ser enterrados em torno de 0,5m. As travessas que formarão o T, serão fixadas em uma altura, de 1,0 a 1,20 do solo, por onde passarão 2 arames paralelos á 40cm distantes um do outro. As brotações das plantas emergirão entre esses arames, onde serão amarradas para sustentação das plantas durante a produção. Esse tutoramento é fundamental para evitar danos com vento e também facilita a colheita das frutas.

7. Podas:

No primeiro ano, as hastes que brotam da coroa das plantas (das mudas), devem ser raleadas, eliminando-se os excessos, deixando apenas quatro hastes por planta, considerada uma boa densidade para a primeira produção. No outono e inverno essas quatro hastes são tutoradas nos arames e despontadas a 20 cm acima do mesmo. Na primavera seguinte essas hastes florescem e produzem a primeira colheita de novembro a janeiro. Ainda na primavera, emergem do solo novas hastes, que crescem ultrapassando os arames de sustentação e então devem ser despontadas (poda de verão) no verão a 30cm acima do arame, com o objetivo de forçar a emissão de galhos laterais, que produzem no próximo ano. Logo após a colheita nas quatro primeiras hastes, essas são podadas à nível do solo e retiradas do pomar, deixando espaço para as hastes novas despontadas se desenvolverem até o final do verão, início do outono. A poda de inverno é realizada, encurtando todos galhos laterais a 30 - 40cm, com o objetivo de organizar o espaço na linha e distribuir melhor a frutificação. Junto com essa poda de inverno realiza-se uma seleção das hastes mais vigorosas, eliminando o excesso. O recomendado é deixar de 3 a 4 hastes produtivas por metro linear. A poda de inverno (encurtamento dos ramos laterais) deve ser realizada antes do inchamento das gemas. Após esse manejo as hastes emergidas no ano passado, despontadas no verão, galhos laterais encurtados no inverno, produzem de novembro a janeiro. (hastes de 1 ano, que irão para segundo ano de desenvolvimento). Após a colheita, as hastes que produziram são eliminadas e tudo se repete. A amora-preta produz sempre na haste de segundo ano, nunca na haste nova (do ano). Algumas variações no manejo de poda podem ser implementadas conforme as condições locais e o objetivo comercial da produção.

8. Colheita

A colheita da fruta representa boa parte dos custos com mão-de-obra e deve ser muito bem planejada. O número de colhedores que se requer por hectare depende do vigor da planta e época de colheita. Em média do início ao fim da colheita se utiliza em torno de 4 a 6 pessoas por hectare. Calcula-se que uma pessoa pode colher de 50 a 60 kg de amora-preta para indústria, em 8 horas de trabalho por dia, dependendo da prática adquirida e da disponibilidade de fruta a ser colhida. A mão-de-obra para colheita manual é o principal fator limitante desse cultivo no mundo. Os frutos de consistência firme, maduros e sadios, são os que tem melhores preços no mercado. A maturação da fruta é determinada pela coloração e acidez da mesma. De forma prática, que pode ser observada a campo, a coloração é que determina o ponto de colheita. Deve-se evitar a colheita de frutas muito maduras, que já perderam a firmeza e podem estar deterioradas. Isto significa que se deve colher com freqüência, pois isso determina a qualidade e uniformidade dos frutos colhidos. A freqüência da colheita reduz as perdas por frutos muito maduros que rapidamente apodrecem e facilmente são atacados por insetos ou doenças. A amora-preta teoricamente deve ser colhida dois dias após a mudança de cor vermelha para preta. Portanto, a colheita deve ser realizada a cada dois dias. A fruta selecionada para o mercado “in natura” deve ser colhida com uma coloração marrom, antes de estar totalmente preta, diretamente na embalagem definitiva (na cumbuca). A fruta para indústria pode ser colhida a granel, em caixas de 7 a 8 kg, para ser embalada posteriormente na forma que vai ser vendida. Normalmente, a fruta para indústria é congelada (-18ºC) inteira e comercializada em embalagens de 5kg ou 20kg.

9. Pós-colheita:

A Amora-preta, assim como a framboesa, tem uma vida muito curta de armazenagem, devido a sua rápida deterioração, que se produz por desidratação, trocas de calor, excesso de maturação, amolecimento, manipulação e podridões. Justamente por isso o mercado de frutas frescas não é mais explorado. As frutas colhidas para o mercado “in natura” devem ser colhidas preferencialmente nas horas mais frescas do dia e retiradas o mais rápido possível da exposição solar e da temperatura ambiente. Recomenda-se a construção de abrigos sombritados que protegem a fruta até o transporte para a refrigeração ou congelamento.
A redução da temperatura o mais breve após a colheita é o fator mais importante na armazenagem, a fim de evitar trocas metabólicas (amolecimento e excesso de maturação) e desenvolvimento de microorganismos causadores de podridões. Para evitar desidratação excessiva, se recomenda usar juntamente com as baixas temperaturas, umidades relativas altas. Segundo alguns autores, as condições ótimas de armazenagem refrigerada são: temperatura de 0ºC a 5ºC e umidade relativa de 90 a 95% durante uma semana, logo após a uma temperatura de 20ºC, ainda pode manter-se sem deterioração entre 1 a 4 dias. O ideal é usar a cadeia de frio desde o campo até o mercado, sem interrupção. Existem poucas informações sobre conservação de pequenas frutas no Brasil, essa logística está sendo construída através da experiência prática, seguindo alguns parâmetros citados acima.

10. Comercialização

A amora-preta é uma fruta muito utilizada no processamento de diversos produtos, doces, geléias, caldas, sobremesas, sorvetes, iogurtes, polpas, preparados de frutas, corantes e outros. Nos últimos anos, o sabor denominado “frutas vermelhas” tem ganhado as prateleiras dos supermercados nos mais diversos produtos industrializados, o que tem aumentado a demanda pela fruta congelada, que juntamente com a framboesa e o morango, fazem parte da composição desse sabor. O apelo nutricional e terapêutico (nutraceutico), destacando as frutas vermelhas como alimentos funcionais, capaz de prevenir e controlar determinadas doenças, tem atraído as pessoas para o consumo dessas frutas. Esse destaque dado às frutas vermelho-escuras e roxas, tais como a amora, framboesa, mirtilo e morango, se justifica porque além de apresentarem um alto conteúdo de vitamina C e betacaroteno, são ricas em compostos fenólicos, com potencial antioxidante muito maior que essas vitaminas. Dentre esses compostos fenólicos encontrados nessas frutas, os flovonóides são os que apresentam maior ação terapêutica. Estudos indicam que essas substâncias são capazes de exercer efeitos protetores para o cérebro, retardando o envelhecimento e doenças relacionadas, além de possuírem atividade antioxidante, anticancerígena e antiinflamatória.
A amora-preta “in natura” ainda é pouco consumida no Brasil, talvez, por ser uma fruta muito ácida para nossos paladares e também pelo preço elevado que chega até o consumidor. A demanda vem crescendo nos estados do sudeste do Brasil, destacando-se São Paulo e Rio de Janeiro como principais consumidores e também algumas capitais, como Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Belo Horizonte. A fruta produzida para o mercado “in natura” e congelada no Brasil, tem como principal produtor o município de Vacaria, com cerca de 112 produtores e uma área superior a 100 ha de amora-preta, com uma produção que pode chegar a 600 toneladas/ano, onde praticamente 100% é destinada ao mercado da indústria. Existem empresas que possuem áreas próprias de produção, somando cerca de 30 ha, onde parte da fruta é colocada no mercado “in natura” e exportada em pequenos volumes para países europeus, na ocasião da entressafra daqueles países. Sabe-se também, que existe a importação de determinados volumes, principalmente de fruta congelada para processamento industrial. Na região da Serra Gaúcha e Serra da Mantiqueira, nos estados de São Paulo e Minas Gerais existem pequenos cultivos para atender a demanda de agroindústrias da região e um pequeno volume comercializado como fruta fresca nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, São Paulo e Belo Horizonte.
O mercado da amora-preta está em expansão, destacando que nos últimos quatro anos a área de cultivo na região de Vacaria praticamente triplicou e o mercado vem absorvendo essa produção, inclusive com aumento de preços pagos nas últimas quatro safras. Na região de Vacaria e na Serra Gaúcha, pequenos produtores, recebem em torno de R$ 1,15 a R$1,30 pelo quilo da fruta para indústria. O preço da fruta fresca pode passar de R$ 3,00 por quilo para o produtor. O preço da fruta-fresca de amora-preta no mercado europeu, na entre safra deles, pode atingir 8,00 euros por quilo, embaladas em cumbucas de 125 gramas. Esse mercado ainda é limitado pelas condições de estrutura e logística dos produtores. Atualmente, apenas duas empresas de Vacaria exploram esse mercado, com frutas de produção próprias, adequadamente conduzidas para essa finalidade.

2009 Appefrutas